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    Diário de Bordo  

TRAVESSIAS

Clique nos links abaixo para ver diário dessas travessias:

Travessia Saint Giles-FR à Barcelona

Travessia Atlântico

Travessia com Veleiro Open 60

(as imagens dizem tudo...)

 

 

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A pedidos de alguns amigos resolvi divulgar um pouco o trabalho de skipper, contando um pouco da vida a bordo, da navegação, dificuldades e prazeres, da maneira mais simples possível, com o diário de bordo da viagem.

Skipper Navegador que transporta um barco por meios próprios entregando-o em estado igual, ou melhor, do que estava no destino.

Para que todos entendam como funciona esta profissão, a base elementar é: alguém compra um barco em um lugar distante e precisa transportá-lo para perto de si. Então contrata o skipper que vem navegando até o destino final! Simples não é? Depois você me fala!

Tudo começa com algumas reuniões entre skipper e dono do barco para acertar todos os detalhes de pagamentos, passagens, compras de materiais e etc. Finalmente chega o dia da viagem, geralmente uma mala é apenas das roupas de velejar e frio, meia mala das roupas do dia a dia e o restante são equipamentos do barco. Junta tudo do jeito que for possível, transforma 92kg de bagagem em 3 pacotes, convence o check in de não pagar excesso e pega o avião! Viu que simples!

Chega em Paris, cidade maravilhosa de várias etnias e culturas, encara um aconchegante metrô ou taxista famoso em todo o mundo pelo seu bom humor! Claro que com aquele peso todo os taxistas não querem te levar, mas sempre tem um chinês ou um africano tentando a vida por lá que gentilmente te leva ao destino.

No dia seguinte vai comprar alguns materiais a mais para o barco e descobre que é feriado nacional, que a fábrica não foi capaz de avisar que a França pára durante muitos dias em Maio e que agora tudo vai ficar difícil de conseguir!! O jeito é entrar no ritmo e fazer um turismo procurando lojas abertas para resolver o que faltou. Tudo certo!

 Agora é só pegar um trem TGV a Nantes, fazer conexão a outro trem para St. Gilles e deixar as bagagens no Hotel. Como Francês é organizado, foi fácil achar um carrinho que agüente tudo e levar as malas para o trem. Ajeitar tudo lá é um pouco mais difícil, mas no final eles gostam de brasileiros e as bagagens podem até ocupar parte do corredor... Como é feriado tcharam!! O trem atrasa e agente perde a conexão em Nantes! Para discutir com o chefe do escritório da estação que não fala outra língua além do Francês, logicamente não é nada muito fácil, mas com um esforço ele pagou um táxi para chegarmos ao destino. Surpresa! A desértica cidade de St. Gilles está lotada e nenhum hotel tem vagas! Ainda bem que com essas viagens fazemos amigos e deixamos tudo na casa de um e fomos atrás de um hotel em outra cidade. No dia seguinte voltamos a St. Gilles que voltou a ser o deserto de sempre!

Começa a preparação do barco: Imagine, é um barco que não tem absolutamente nada! Tem que comprar salvatagem, utensílios de cozinha, ferramentas, peças que possam precisar ser substituídas, absolutamente tudo que você vai precisar para morar dois meses a bordo e enfrentar todo o tipo de situação no mar! Lembre, no mar não tem lojinha! Isso leva geralmente 3 dias de compras! Ao mesmo tempo é preciso checar tudo no barco, desde montagem de equipamentos, velas e mastro; a pequenos detalhes como verniz, gelcoat e acabamentos finais, pois a hora de reclamar para a fábrica qualquer defeito é agora (Pense na responsabilidade, se você não reclama pra fábrica o dono reclama pra você! Entendeu?) Entre achar o defeito e reparar geralmente são dois dias, quando a França está com férias pode levar uma semana, mas quando além das férias tem greve de pescadores no porto, isso leva exatamente 19 dias! Depois tem gente que fala do Brasil, pior ainda é francês que fala do Brasil!! Eu fico indignado...

Finalmente vai começar o que todos acham que é o nosso trabalho: Pegar o barco zerado, todo equipado e passear até o Brasil.

Problema 01  - com o atraso da entrega do barco, minha tripulação que ia a Lisboa não pode ir mais, pois já deveríamos estar em Lisboa. A solução como sempre é do Skipper ir solitário mesmo! A responsabilidade dobra, pois o barco não pode ter sequer um risco e em solitário, você e o barco ficam mais vulneráveis!

Problema 02 -  O dono do barco tirou seus únicos dias de férias, depois de dez anos de trabalho contínuo para comprar este barco e combinou com você uma hora e local de entrega, você não pode atrasar, mas também não pode colocar o barco e tripulação em risco! Isso só é possível aumentando a eficiência do seu trabalho na sua jornada normal de tempo! (Vale pra você que está ai no escritório lendo em vez de trabalhar viu!!)

 Lema do Skipper - Tudo tem solução menos a morte! Se vire!

 

 

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